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    Craques do Passado: Paulo Henrique, a Lenda da lateral

    28 de junho de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    Por Leonardo Barros

    “Garoto Paulinho parou Mané Garrincha”. A manchete do Jornal dos Sports de 14 de outubro de 1963 mostrava que Paulo Henrique estava pronto. Aos 20 anos, o lateral-esquerdo nascido em Quissamã – na época, ainda distrito de Macaé – começava a se destacar no Flamengo. Pelo clube, o primeiro sonho foi realizado: virou ídolo com mais de 400 jogos disputados e muitos títulos. Com o sucesso no Rubro-Negro, o segundo sonho virou realizade ao disputar a Copa do Mundo de 1966 pelo Brasil.

    “O Flamengo teve peso na minha convocação. Tinha esse objetivo de ser campeão pelo clube e chegar à Seleção. E também disputar uma Copa do Mundo. Alcancei o que gostaria. Sonhos realizados”, contou Paulo Henrique à Flamengo TV em 2019. 

    Em sua trajetória nos campos, o lateral teve a missão de substituir duas lendas do futebol. No Flamengo, entrou no lugar de Jordan, jogador com mais de 600 jogos pelo clube. Na Seleção Brasileira, herdou a posição de Nilton Santos, a “Enciclopédia do Futebol” e bicampeão mundial – 1958 e 1962. Como técnico, estreou no Campos Atlético na década de 1970, passou por Americano e Goytacaz e Seleção de Omã. A única frustração foi não ter tido oportunidade de treinar o Flamengo.    

    “Fui capitão do time por mais de oito anos, mais de 400 jogos, era ídolo. Vi outros ex-jogadores sendo chamados para ser treinador, como o Carlinhos Violino e os Jaimes (Valente e Almeida), por exemplo. Não tive essa chance, o que deixou mágoa”.  

    De Quissamã à Gávea 
    Com a influência do pai, que era jogador amador, Paulo Henrique brilhava nos campinhos de várzea. Entre as peladas, os jogos das categorias de base em Macaé e o trabalho de aprendiz de torneiro Mecânico na Usina de Açúcar de Quissamã, o garoto de 15 anos foi convidado a fazer um teste no Flamengo. Recorda da resistência dos pais, que só liberaram a ida à capital, com a companhia do irmão Roberto, dois anos mais velho.  

    “Eram umas 200 crianças no teste na Gávea. Tive 15 minutos para jogar. O Fleitas Solich, técnico do time principal do Flamengo, estava na arquibancada e pediu a minha aprovação. Avisei que meu irmão Roberto também tinha que ficar, caso contrário voltaria para Quissamã”, conta Paulo Henrique. 

    O sucesso no Rubro-Negro foi rápido. Títulos na base, primeira oportunidade nos profissionais aos 17 anos. A década de 1960 na lateral-esquerda foi dele. No total, foram 436 jogos – está na lista dos 15 atletas que mais jogaram pelo clube – e quase 20 taças. Até o início da década de 1970, teve uma saída rápida para o Botafogo, após um desentendimento com Yustrich – no qual chegou a usar uma arma de fogo para responder às ofensas do treinador. Paulo Henrique também defendeu o Avaí, onde foi campeão Catarinense, e o Bahia. 

    A trajetória familiar no futebol teve sequência. Um dos seus filhos, Paulo Henrique Filho foi atacante do Flamengo na década de 1990 e técnico do sub-20 na conquista da Taça São Paulo de 2011. Ele morreu em 2017, vítima de Acidente Vascular Cerebral (AVC). Já o neto, Henrique Lordelo foi revelado pelo Rubro-Negro e, atualmente, defende o Mixto-MS. 

    Ao lado de Pelé e Garrincha 
    “Era bom marcador. Avançava também, mas ia na boa, quando a oportunidade aparecia. Naquela época, o treino era mais técnico do que físico, ao contrário de hoje em dia”. 

    O auge da carreira de um jogador de futebol é a Copa. E Paulo Henrique chegou ao Mundial de 1966 como o principal lateral-esquerdo do país. A campanha brasileira não foi boa, mas o lateral foi um dos melhores da Seleção. Na Inglaterra, participou da última partida da dupla Pelé e Garrincha pelo Brasil – 2 a 0 contra a Bulgária.

    “Em suas informações filtradas, a Comissão Técnica do escrete deixou escapar uma revelação: o comportamento de Paulo Henrique, calmo, tranquilo e sério (em campo e fora dele), tem surpreendido ao alto comando da seleção, por se tratar de um calouro”, diz nota publicada pela Revista do Esporte. 

    Campos na carreira de técnico 
    A experiência nos campos o levou a ser treinador na década de 1970. Em mais de 50 anos na função, Paulo Henrique tem uma relação vitoriosa com os clubes de Campos. O início foi no Campos Atlético, o Roxinho, quando trabalhou com Murilo, seu melhor amigo no futebol e ex-lateral do Flamengo. A proposta era ser treinador/jogador, porém, a vontade de entrar em campo já não era mais a mesma. De história, uma vitória de virada contra o Americano, por 3 a 2, com Paulo Henrique saindo do banco para ser decisivo.   

    Logo depois, Paulo Henrique foi contratado pelo Americano para o primeiro Campeonato Brasileiro do clube em 1975. Fez uma boa campanha, incluindo uma vitória contra o Santos, por 2 a 1, no extinto Estádio Godofredo Cruz. Pelo Goytacaz, em uma das suas passagens, a consagração: campeão da 2ª divisão do Campeonato Carioca em 2017, depois de 35 anos. Festa no Aryzão. O ex-lateral também teve uma extensa passagem pelo Oriente Médio, onde trabalhou, por exemplo, na seleção de Omã e no Al-Shabab, dos Emirados Árabes.

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