Conversa com Vorcaro balançou a candidatura do senador que, cambaleante, ainda respira

Na semana que traz a contagem regressiva de 4 meses e 10 dias para o segundo turno da eleição presidencial — tomando-se como provável que não se defina no primeiro —, surge a expectativa de qual nova descoberta, acusação ou escândalo poderá sobrevir.
De meados de maio para cá, as tempestades perfeitas têm recaído sobre Flávio Bolsonaro, desde que veio a público as ligações do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Neste espaço registrou-se, logo na edição posterior à revelação, que ‘fosse em países de alto nível de politização, e a pré-candidatura estaria inapelavelmente ferida de morte’. Mas sobreviveu, tendo sua base de aliados e apoiadores optado por uma espécie de compasso de espera.
Aguardou pelo melhor… que não veio: novos áudios em que trata Vorcaro como “irmão” e visita ao ex-banqueiro quando já cumpria prisão domiciliar com uso de tornozeleira fizeram novos estragos. Entretanto, relativamente contornado, visto que os recuos captados pelas pesquisas foram menores que o esperado. Pelo Datafolha de 22 de maio, por exemplo — aí já ‘pegando’ a visita etc. — de empate técnico para perda de 4 pontos: Lula 47%, Flávio 43%.
Revelações feitas no
contra gotas foram
pior do que o caso
em si. Flávio luta
para provar que
não houve ilícito
Enfileirando erros
Na semana passada novo desgaste sem menor sentido: O ‘beija-mão’ junto ao presidente americano Donald Trump para que os EUA classificassem as facções criminosas Comando Vermelho e PCC como terroristas. Resultado: serviu de deixa para que o país estadunidense questionasse o Pix. Enfim, demonstrando completa falta de habilidade, foi suscitar temas os quais, de um jeito ou outro, poderiam trazer prejuízo à campanha — como trouxeram — e munição ao PT para manejar o assunto como bem entendeu, na base do “O Pix é nosso”.
Pesquisas
A princípio, o pedido velado de “apoio” a Trump resultou em novas perdas nas pesquisas. Pelo Genial/Quaest de semana passada (10), Flávio recuou mais dois pontos comparativamente ao apurado pelo Datafolha, ampliando a diferença para seis p.p.: 44% a 38% em favor do presidente Lula. Contudo, há de se ressalvar tratar-se de institutos diferentes. Logo, metodologia que obedece a outros parâmetros e que, portanto, tecnicamente não podem ser comparadas.
Para ilustrar, um dia antes da Quaest, pesquisa Gerp (09/06), divulgada pelo Poder 360, mostrou Flávio com 44,7% contra 39,1% de Lula. Logo, salta clara a discrepância. Contudo, prevalece o que está sendo considerado por analistas políticos os quais, em sua maioria, apontam desgaste de Flávio e indecisão ainda maior por parte da direita.
O eixo não está nas pesquisas, que não têm o condão de antecipar resultado. Antes, tão somente mostram a intenção do eleitor num momento específico. Faltando 4 meses, nada está definido e daqui por diante a polarização tende a aumentar.
De certo mesmo, só a incerteza que virá por aí, particularmente acerca da delação de Vorcaro que pode bater em todos os lados (*Continua).


