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    Jair Bittencourt: “A polarização no Brasil aumentou”

    8 de junho de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    Jair Bittencourt: “A polarização no Brasil aumentou”
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    Deputado comenta crise política na Alerj e no governo estadual e projeta eleições atípicas

    Foto: Josh

    O deputado estadual Jair Bittencourt (PL) está em terceiro mandato. O parlamentar é pré-candidato à reeleição para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nas eleições de outubro. Com trajetória política iniciada há quase 30 anos, quando atuou como secretário municipal, ele foi eleito prefeito de Itaperuna e tornou-se, nos últimos anos, uma das principais lideranças do Norte e Noroeste Fluminense. Em agenda em Campos dos Goytacazes, Jair Bittencourt falou sobre o fortalecimento regional através do Consórcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento do Norte e Noroeste Fluminense (Cidennf), analisou o cenário político estadual, comentou as investigações envolvendo o governo Cláudio Castro e avaliou os rumos do PL no Rio de Janeiro.

    Deputado, o senhor veio a Campos cumprir uma agenda de trabalho, incluindo encontros com integrantes do Cidennf. Na sua avaliação, qual a importância do consórcio para o desenvolvimento regional?
    O Cidennf é um divisor de águas na relação dos municípios com o Estado e a União. Hoje são 21 municípios consorciados, presididos pelo prefeito Léo Pelanca, de Italva, e isso deu muita força à região. O Norte e Noroeste são compostos, em sua maioria, por municípios pequenos e, por isso, esse consórcio se tornou muito importante.

    Ele tem um diferencial muito grande porque, geralmente, os consórcios tratam especificamente da saúde. O Cidennf não. Ele é um consórcio de desenvolvimento. Além da saúde, atua no turismo, na agricultura, no comércio e também nessa relação de tecnologia e modernização das prefeituras junto ao Estado. Isso fortalece a articulação regional e amplia a capacidade dos municípios de buscarem soluções conjuntas.

    O senhor está no terceiro mandato e é pré-candidato à reeleição. Como avalia o cenário eleitoral de 2026 para a Alerj e para sua candidatura?
    Vejo como uma eleição atípica, apesar de muita gente ainda não perceber dessa forma. A polarização entre esquerda e direita continua muito forte e, no meu entendimento, até aumentou. Houve um crescimento inesperado nas intenções de voto de nomes ligados à direita, como o Flávio Bolsonaro, e isso acirrou ainda mais o ambiente político.

    Também existe um acirramento dentro do governo federal e do próprio estado, e isso está refletindo diretamente na sucessão estadual. A eleição para deputado nunca é garantida. É uma eleição de trabalho. Estou no terceiro mandato, sou um deputado municipalista e regional, e vejo que a questão majoritária será definida muito na reta final, dentro do próprio período eleitoral.

    O estado atravessa dificuldades e todo mundo vê os problemas que estamos enfrentando. A quebra da linha sucessória, no meu entendimento, foi um absurdo. Independentemente dos problemas existentes, isso deveria ter sido respeitado porque é constitucional. Isso terá reflexos muito fortes nas eleições. Por isso reafirmo que o cenário ainda vai mudar bastante e será decidido próximo da própria votação.

    O senhor integrou o governo Cláudio Castro e hoje há investigações e especulações envolvendo o governador que desistiu da candidatura ao Senado. Como o senhor avalia esse momento e seus impactos para o Partido Liberal?
    É um momento ruim porque vimos se estabelecer um modelo de relação entre governo e parlamento que agora está sendo questionado. Eu fui secretário do governo Cláudio Castro, não nego isso, e fiz meu trabalho como tinha que ser feito, com plena consciência. Tivemos vários colegas secretários que trabalharam muito e fizeram entregas importantes, entre eles Douglas Ruas, que considero um deputado correto.

    Mas sabemos que existem problemas que foram geridos dentro do governo e que hoje estão sendo investigados. Vou citar um caso emblemático, que é a questão do Banco Master e essa relação próxima com setores empresariais que agora começa a aparecer.

    Quem estava em pastas menores, como eu, no Desenvolvimento do Interior, não tinha conhecimento – e ainda não tem – sobre muitas dessas relações. O que vemos são escândalos sucessivos, no governo do estado, em outros governos, assembleias legislativas e também no governo federal.

    Na hora em que a investigação do Banco Master avançar para determinadas áreas, muita coisa ainda poderá surgir. No meu entendimento, esse processo está sendo conduzido de maneira séria e vivemos um momento muito delicado. Acho que o governador Cláudio Castro está pagando um preço que ainda dependerá de uma avaliação profunda sobre as relações que o governo estabeleceu com alguns empresários e determinadas práticas políticas.

    O PL tem nomes para enfrentar as eleições caso haja mudanças no cenário?
    Primeiro, eu tenho convicção de que o Flávio Bolsonaro não vai desistir. Faço uma análise rápida: ele apareceu cedo nas pesquisas e isso tem peso. Hoje existem levantamentos mostrando disputa apertada e ainda faltam alguns meses para a eleição.

    Até lá, teremos muitos acontecimentos. Vai surgir muito escândalo, envolvendo PL, PT e outras forças políticas. O Brasil hoje vive uma sequência de crises – INSS, Banco Master e tantos outros episódios – e muitas pessoas envolvidas sequer sabem de onde surgem determinados problemas. Isso também acontece nos estados. Quando se acha que um problema está restrito a uma área, aparece outro em setor diferente, como educação ou segurança.

    Tudo isso tende a ser diluído e analisado dentro do período eleitoral. Douglas Ruas é pré-candidato ao governo e a situação de Cláudio Castro será uma decisão partidária, construída junto à cúpula nacional do PL. Ele é um ex-governador, já liderou pesquisas, e essa decisão será tomada dentro do partido.

    E o senhor participaria da coordenação de campanha majoritária do partido na região?
    Sobre coordenação de campanha, o prefeito Wladimir Garotinho foi convidado, quando entrou no PL, para coordenar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Eu, particularmente, não gosto de coordenar campanha majoritária porque prefiro cuidar da minha campanha e ajudar a minha região. Mas, se Douglas Ruas precisar de apoio no Noroeste Fluminense, naturalmente posso colaborar, porque temos presença política consolidada lá. Prefiro atuar nos bastidores, fortalecendo a região e trabalhando pela representação que construímos ao longo desses anos.

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