Evento reúne estudantes e especialistas para refletir sobre reforma psiquiátrica e luta antimanicomial

A discussão sobre saúde mental, acolhimento e direitos das pessoas em sofrimento psíquico será tema de uma mesa-redonda promovida por alunos do curso de Terapia Ocupacional do Centro Universitário Fluminense (Uniflu), na sexta-feira (22), às 19h, no auditório do Campus II da instituição.
Com o tema “Da exclusão ao acolhimento: Saúde Mental, liberdade e cuidado em debate”, o encontro reunirá estudantes de Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia, além de profissionais convidados de diferentes áreas do conhecimento, em uma proposta interdisciplinar voltada à reflexão sobre reforma psiquiátrica e cuidado em liberdade.
A iniciativa marca as discussões em torno do Dia Nacional da Luta Antimanicomial, lembrado em 18 de maio, data que remete ao movimento pela transformação da assistência psiquiátrica no Brasil e à defesa de tratamentos humanizados fora do modelo de isolamento asilar.
A mediação será conduzida pelo terapeuta ocupacional e professor do Uniflu, Brunno Ferreira Gomes, idealizador e um dos organizadores do evento. Segundo ele, o debate pretende aproximar literatura, filosofia e prática clínica para ampliar a compreensão sobre o sofrimento mental e combater preconceitos historicamente associados ao tema.


“O transtorno mental não deve ser tratado de forma desumana e encarcerada. As pessoas em sofrimento psíquico precisam ter seus direitos respeitados, acesso a tratamento adequado e participação plena na sociedade”, afirmou.
Entre os convidados confirmados está a professora de Português e Literatura Brasileira Edinalda Almeida, que discutirá a relação entre sociedade e saúde mental a partir da obra O Alienista, de Machado de Assis, em uma palestra intitulada “Normalidade em debate: saúde mental e sociedade em O Alienista”.
O filósofo Padre Luciano Gomes apresentará a conferência “Da exclusão ao acolhimento: reflexões sobre Foucault e a saúde mental na luta antimanicomial”, propondo uma análise filosófica das práticas históricas de exclusão.
Já a psicóloga e coordenadora do Caps Infanto-Juvenil, Marcela Leal, abordará a organização da rede de atenção psicossocial e os desafios enfrentados pela reforma psiquiátrica na prática cotidiana.


De acordo com Brunno Ferreira, o encontro também pretende fortalecer a divulgação do modelo de assistência em saúde mental desenvolvido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), baseado em serviços comunitários como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps).
“Não podemos aceitar que pessoas em sofrimento mental sejam submetidas às formas de violência que marcaram os antigos manicômios. Hoje existem equipamentos públicos que oferecem suporte ao paciente e à família, e isso precisa ser conhecido e valorizado”, destacou.
O Dia Nacional da Luta Antimanicomial recorda o Encontro Nacional de Trabalhadores da Saúde Mental, realizado em 1987, em Bauru (SP), considerado um marco da reforma psiquiátrica brasileira e da construção do modelo de cuidado em liberdade consolidado pela Lei 10.216, de 2001.
