Com formação na Áustria, Thaís touxe para Campos uma visão para além da mulher de agora

Ela é bióloga e médica, com doutorado em Viena, na Áustria. Em Campos dos Goytacazes, montou a Clínica Théros, especializada em saúde da mulher, com equipe multidisciplinar. Nesta entrevista, ela fala do novo conceito da saúde da mulher em todos os aspectos, do físico ao psicológico.
Frisa que com uma expectativa de vida bem maior, a mulher de hoje avançou no padrão do cuidado, se antecipando ao tempo e se preparando para o futuro, chegando nele com mais saúde, mais disposição física e por que não dizer “mais bonita”?
A Théros é um combo de ambientes de cuidados e resultados, reunindo vários profissionais da área de saúde com foco centrado na mulher. No fundo, o que revela é que não existe mais a mulher de ontem, e sim a de agora.
A nova mulher, a mulher com mais de 40 anos, ou até com mais de 30, buscam mesclar a saúde e estética. Na sua visão como isso se contextualiza?
Tivemos um aumento significativo na expectativa de vida do brasileiro de uma forma geral, então temos que pensar muito nisso. A mulher hoje 40 mais, por exemplo, representa um outro universo feminino quando a gente compara com anos atrás. A mulher 40 mais, 50 mais, tem uma expectativa de vida pela frente em que precisamos garantir a qualidade, porque a vida só é plena quando a gente vive intensamente e tem a qualidade de vida para usufruir disso. Associamos muito a saúde da mulher com a menopausa, que é um impacto metabólico muito intenso de maneira geral. Mas hoje vemos que as terapias de reposição hormonal para a mulher nessa faixa etária é justamente a virada de chave para que a gente consiga garantir com sucesso essa qualidade dentro da expectativa de vida.
Para algumas mulheres, a reposição hormonal ainda é uma ficção e elas querem ter. É sempre bom falar disso. Agora, é um acompanhamento acessível?
Sim, sem dúvida. Trouxemos uma evolução muito grande em relação aos protocolos de reposição hormonal. Havia uma resistência muito grande até pouco tempo atrás sobre essa reposição para as mulheres de maneira geral, mas hoje são protocolos acessíveis que a gente consegue fazer um controle e uma continuidade do tratamento, inclusive na rede pública. É algo que a gente trabalha na rede particular, mas que também é viável para ser feito dentro da saúde da mulher na rede pública.
Além de médica, você é biomédica e bióloga. Então, você tem um nível de compreensão além da medicina convencional. Isso é um diferencial da sua clínica?
Sem dúvida. Eu acho que o profissional é um somatório do histórico profissional. A biologia, que foi minha primeira graduação, me traz um leque de conhecimento metabólico que, em muitas das vezes, a faculdade básica de medicina não abrange. Além disso, o fato de eu ter me especializado em bioquímica me traz uma visão de vias metabólicas um pouco mais aprofundadas, digamos assim, uma vez que realmente foram 10 anos de estudo dentro dessa temática. Então, eu acho que tudo isso faz um somatório dentro da profissão.
Você fez uma graduação, um doutorado, em Viena, então você conhece um pouco o começo de tudo, porque no velho mundo essa preocupação do tratamento hormonal já era bem antes. A mulher brasileira, nesse contexto, está quase chegando ao nível das européias?
Na verdade, estamos mais avançadas. Hoje, a mulher brasileira é a mulher que mais cuida do próprio corpo, a mais vaidosa com o próprio corpo. Existem estudos que mostram que a mulher do Brasil realmente é uma mulher que prioriza a questão corporal. Isso é muito notório, inclusive. Tenho percebido isso com minha vivência também fora do Brasil, não só durante o período de doutorado, mas em alguns outros momentos, em que pude fazer especialização fora do Brasil. Então a mulher brasileira tem essa visão ampla do próprio corpo, essa autonomia do próprio corpo e essa necessidade de estar se sentindo bem e de explorar isso.
Até onde você vai com dieta e recomendações de atividade física?
Dentro de um processo de emagrecimento, a qualidade de vida, dieta e atividade física não têm limite, e é para todo mundo. Independente de estarmos falando de uma criança, de um adolescente, de uma mulher madura ou de uma idosa. Quando a gente fala em dieta, não é sobre restrição alimentar, é sobre qualidade alimentar, entender os alimentos que fazem parte do universo saudável para macronutrientes. Então, trabalhar com dieta e orientação de atividade física é inerente à idade e ao tempo. Não temos um limite de tempo, tem que ser uma prática. Por isso, que a gente entende como hábito e entra no que a gente chama de “medicina do estilo de vida”. Tem que ser algo que realmente defina um estilo de vida.
Falamos do 40+, mas desde sempre a mulher se cuida mais do que o homem. Qual é a hora certa para a mulher começar a buscar esse novo estilo de vida?
A saúde da mulher tem fases. Em cada fase ela precisa de um olhar atento. Então, cuidado é sempre. A menina quando inicia a menstruação, entra na fase reprodutiva, a gente precisa trazer cuidados relacionados à educação, saúde sexual. A educação com o próprio corpo, o autoconhecimento. Quando ela entra na fase reprodutiva é extremamente importante que faça o acompanhamento da rotina ginecológica. A preparação para ser mãe, preparação do corpo pro parto, que é uma questão também extremamente importante. E quando ela passa da fase reprodutiva para a menopausa é o momento de olhar pra parte hormonal dessa mulher. Entender que vai entrar numa nova fase de vida e aí são necessários ajustes hormonais para que ela possa viver isso da forma mais intensa e mais plena possível. Quando a gente fala de saúde da mulher é preciso ter um olhar atento à fase que essa mulher está vivendo. Ela precisa de cuidados a vida inteira. Só que em cada fase é um olhar diferenciado.
Sua clínica, na Pelinca, estabeleceu uma cultura nesse hall de cuidados com a mulher. Você tem uma equipe, com profissionais de outras áreas. Fale um pouco dessa cultura, desse fluxo de profissionais.
Quando a gente pensou na criação da clínica, da Théros, foi uma ideia de realmente trazer uma visão inovadora para Campos dentro desse cenário do universo feminino. A gente quis tratar da mulher, mas dentro de um cenário interdisciplinar, onde as especialidades realmente pudessem conversar no cuidado dessa mulher. Então a gente tem estruturas dentro, desde a cardiologia, passando pela nutrição, psicologia, ginecologia, a parte estética também, com dermatologia, estética íntima, que também é uma novidade. A gente tem então toda uma estrutura voltada para isso, para que possamos cuidar dessa mulher de uma forma integral. Então, geralmente a paciente vai ter cuidados multidisciplinares dentro de todos os aspectos, porque, principalmente, entendemos que a saúde é uma questão ampla e integrada. Não podemos isolar pontos relacionados à saúde da mulher e temos que passar por várias áreas, desde a saúde mental até o desequilíbrio hormonal.
A mulher de Campos está se tratando melhor, pelo que você observa. Qual o perfil da mulher campista?
Acho que isso tem sido um mercado que tem avançado. As mulheres estão ampliando o conhecimento e o olhar para a própria saúde, mas ainda assim as informações são bem escassas. Acho que a gente ainda precisa divulgar mais informações relacionadas às vantagens dentro do olhar relacionado à saúde da mulher para que isso de fato seja uma prática. A mulher ainda tem muito hábito de se colocar em segundo plano, principalmente nessa faixa etária, onde muitas vezes, o filho, o marido, o cuidado com a casa, acabam sendo uma prioridade. A gente compreende tudo isso. Além de ser algo cultural, faz parte da vida dela essa sensação do olhar para o outro além do olhar para si próprio. Então precisamos trazer à tona discussões e divulgar conhecimento para que essa mulher entenda a importância de olhar para si. Ela precisa se cuidar para conseguir manter a qualidade familiar. Então, é uma coisa que tem crescido bastante dentro do cenário. Hoje em Campos percebo que a gente pode conversar mais sobre isso para trazer esse olhar para as mulheres.
Você falou da psicologia e exatamente na menopausa que a mulher entra numa espécie de pânico quase sempre. Isso é recorrente assim?
Isso é recorrente e tem explicação hormonal. Nessa fase, temos alterações muito importantes, tanto em estrogênio, progesterona e testosterona. A ausência desses hormônios são os que muitas das vezes comprometem aquela sensação de bem-estar. Então quando a gente entra nessa fase de oscilação hormonal, muitas das vezes a mulher vai apresentar sintomas de ansiedade, depressão, insônia. Quem não dorme bem não tem um dia bom. Então, toda essa oscilação hormonal traz para ela um desequilíbrio que, para quem está observando, talvez não entenda a fisiologia e o porquê tudo isso estar acontecendo. Então, o cenário da reposição hormonal entra muito para que essa qualidade da saúde mental da mulher seja estabelecida, mas a gente também não pode abrir mão de terapia e de outros suportes que, muitas das vezes, ela vai precisar.
Que conselho você ou alerta você faz sobre automedicação em todos os níveis, principalmente, na reposição hormonal?
Esse é um ponto chave. É necessário o acompanhamento médico, até porque existem contraindicações que precisam ser vistas e avaliadas como um elemento importantíssimo na estrutura uterina do endométrio, principalmente nesta reposição hormonal. Ela tem que ter, digamos assim, uma liberação da imagem da mama, então a gente tem algumas contraindicações importantes que precisam ser avaliadas antes, para que o que a gente possa trazer de benefício e que não haja um risco futuramente. O hormônio é uma molécula no organismo que tem um poder altíssimo, com capacidades metabólicas poderosas. Temos um olhar muito cauteloso no acompanhamento do cuidado dessa mulher, para que aquele benefício não vire um problema.
