Novo prefeito apontou como prioridade de governo soluções para problemas antigos do município, como transporte público

Tomou posse, na última quinta-feira (2), o novo prefeito de Campos dos Goytacazes, Frederico Paes (MDB). Ele substitui Wladimir Garotinho (PL), que renunciou ao cargo para candidatar-se à Câmara dos Deputados nas eleições de outubro. Após a solenidade de transmissão de cargo, entre despedidas e promessas de continuidade, a nova gestão do Executivo municipal já cria expectativas e dúvidas: como ficará a cidade e o governo a partir de então? Empresários, economistas e analistas políticos especulam a respeito do novo prefeito e de como será sua forma de governar. Começou a era Frederico Paes, com a promessa de continuidade.
O novo prefeito de Campos dos Goytacazes conversou com a imprensa assim que tomou posse. Frederico Paes foi questionado sobre prioridades no início de sua gestão, soluções para o que não foi realizado desde o início da gestão Wladimir. Um exemplo é a situação precária do transporte público na cidade, distritos e zona rural.


Alterações no secretariado e em outros cargos de confiança foram cogitadas, mas Frederico preferiu avaliar essa questão futuramente. Ele revelou que convidou a ex-governadora e ex-prefeita Rosinha Garotinho para fazer parte de seu governo na pasta de Trabalho e Renda, inicialmente. No entanto, ainda não houve confirmação. Rosinha participou da solenidade de transmissão de cargo do filho Wladimir a Frederico.
O prefeito Frederico Paes afirmou que a solução para o transporte público exige planejamento técnico e não pode ser feita de forma improvisada. Segundo ele, por ter formação em engenharia, defende que as decisões sejam baseadas em estudos, mesmo que isso demande tempo. “Pode demorar, mas nós vamos fazer”, garantiu.


Frederico destacou que o transporte não é um problema isolado, mas parte de um conjunto mais amplo de desafios do município, que inclui também áreas como saúde e educação. “A mobilidade urbana é uma das principais fontes de insatisfação da população. O tema tem sido constantemente discutido com o ex-prefeito Wladimir Garotinho, que, segundo ele, demonstrou frustração por não ter conseguido resolver a questão. O transporte é um problema crônico e estudamos soluções há mais de um ano. A meta é entregar à população, até o fim do mandato em 2028, um sistema de transporte público mais digno e eficiente”.
Quem é Frederico Paes
O prefeito Frederico Rangel Paes tem trajetória marcada pela atuação no setor agroindustrial, na saúde e na vida pública. Nascido em 25 de julho de 1969, em Campos dos Goytacazes, no Hospital Plantadores de Cana — unidade da qual viria a se tornar diretor —, é filho do ex-presidente da Câmara Francisco Paes e da ex-secretária de Educação Maria Francisca.
Engenheiro agrônomo de formação, iniciou a carreira profissional na Usina Santo Amaro, na localidade de Baixa Grande, na Baixada Campista. Ao longo dos anos, consolidou atuação no setor sucroenergético, tendo presidido a Associação Fluminense dos Plantadores de Cana (Asflucan) e o Sindicato da Indústria Sucroenergética do Estado do Rio de Janeiro (Siserj).


Em 2002, liderou a fundação da Coagro, cooperativa criada em meio à crise provocada pelo fechamento de usinas na região. Atualmente, a instituição reúne cerca de 10 mil cooperados, sendo considerada uma das principais iniciativas de fortalecimento da produção local. Na área da saúde, Frederico também teve destaque como diretor-presidente do Hospital dos Plantadores de Cana, contribuindo para a consolidação da unidade como referência em maternidade de alto risco. Ele integra ainda a diretoria do sindicato regional do setor hospitalar.
Casado com Carla Paes, é pai de Francine, Frederico Filho e Pedro e avô dos gêmeos Fred e Filipe. Na vida pública, foi eleito vice-prefeito de Campos em 2020 e reeleito em 2024, na chapa liderada por Wladimir Garotinho. Em sua trajetória, recebeu reconhecimentos como o Diploma e Medalha “Construtor do Desenvolvimento Regional” e, em 2012, o certificado “Empresa Compromissada”, entregue pela então presidente Dilma Rousseff à Coagro, pelas boas práticas no setor sucroenergético.
Em junho de 2025, a cooperativa foi destaque no Prêmio 10+Coop do Sistema OCB, conquistando o primeiro lugar na categoria “Sobras”, que reconhece as cooperativas mais relevantes do estado do Rio de Janeiro. Atualmente, a Coagro é presidida por Sérgio Chagas.


Perspectivas econômicas
A chegada de Frederico Paes ao governo municipal provoca no setor produtivo uma série de expectativas.
“Nossa expectativa é de que essa nova fase seja marcada pela continuidade das políticas públicas que vêm dando resultado, mas também por uma escuta ativa das demandas da sociedade e do setor produtivo. Campos tem desafios estruturais importantes que exigem uma atuação firme e colaborativa do poder público. Destaco, também, a importância de fortalecer o diálogo institucional”, comenta o presidente da Firjan NF, Francisco Roberto Siqueira.
O economista Ranulfo Vidigal avalia que a nova gestão municipal tende a manter a linha de continuidade administrativa, destacando os avanços recentes, como a geração de mais de 15 mil empregos formais, o reequilíbrio das contas públicas e os investimentos em infraestrutura. “O atual prefeito já participava ativamente da gestão anterior, contribuindo com sugestões que, em grande parte, foram adotadas. Há um cenário econômico favorável, com a expectativa de aumento nas receitas de royalties do petróleo a partir de maio. É provável que haja uma mudança de estilo na gestão municipal. O novo prefeito tem perfil de empresário bem-sucedido, enquanto Wladimir Garotinho representa uma liderança política mais jovem e em ascensão. Ambos devem manter o diálogo e a articulação, o que tende a beneficiar o município”, comenta.
Avaliação política
Para o historiador e analista político Fábio Siqueira, não haverá grandes alterações no governo municipal com a mudança de titular no Executivo. “Há afinidade e acordos entre Wladimir e Frederico Paes e, assim, a administração deve seguir coerente com os mesmos problemas, características e limitações. Infelizmente, não creio que o novo prefeito possa avançar em pontos críticos e negativos da gestão, como a saúde e o transporte público”, afirma.
O cientista político Hamilton Garcia, professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), avalia que a chegada de Frederico Paes à Prefeitura pode representar mudanças no perfil da gestão municipal. “O novo prefeito não tem trajetória exclusivamente política, trazendo também experiência no setor privado, o que pode influenciar a forma de governar. Esse perfil, mais ligado à tomada de decisões e à disposição para assumir riscos, tende a inaugurar uma nova dinâmica administrativa no município”.
O professor e cientista político Rodrigo Lira avalia que a chegada de Frederico Paes à Prefeitura de Campos ocorre dentro de uma transição política já esperada. “A tendência é de continuidade administrativa, com poucas mudanças estruturais no curto prazo e manutenção do alinhamento com o grupo de Wladimir Garotinho. A gestão deve ter perfil mais técnico, influenciado pela experiência empresarial do novo prefeito, o que pode trazer ganhos de eficiência. No entanto, aponto como principais desafios a condução política, a comunicação com a população e a resposta a problemas crônicos nas áreas de saúde, transporte e educação. O período também será decisivo para a consolidação da imagem pública de Frederico Paes, exigindo demonstrações de liderança, firmeza nas decisões e capacidade de articulação.”
