Projeto prevê estaleiro para reciclagem de embarcações e novos empregos

Um investimento de R$ 850 milhões voltado à implantação de um terminal portuário e de um estaleiro em Barra do Furado, na divisa entre Campos dos Goytacazes e Quissamã, será retomado após mais de uma década. O projeto do Complexo Logístico Farol/Barra teve a divulgação de sua “pedra fundamental”, apurada pelo J3News, marcada para o dia 21 de março, em reportagem publicada neste mês. Há previsão de início das obras ainda este ano. O empreendimento será conduzido pela BR Offshore e terá foco nas atividades ligadas ao setor de petróleo e gás. Moradores e gestores municipais aguardam a iniciativa.
O complexo de Barra do Furado pretende atender a uma demanda crescente por desmantelamento e reciclagem de embarcações. A expectativa é que entre em operação entre 2027 e 2028. Criado há cerca de 15 anos, o projeto chegou a ter obras iniciadas em 2012, mas acabou paralisado em meio à crise econômica e aos impactos da Operação Lava-Jato na indústria petrolífera. A retomada ocorre com a entrada do Banco Fator, que participará como investidor minoritário e atuará na estruturação financeira do projeto.


Uma das principais mudanças em relação ao plano original é o redirecionamento do estaleiro, que antes seria voltado à manutenção de embarcações e agora terá como foco a reciclagem naval. A área, com cerca de 1 milhão de metros quadrados, também contará com uma base de apoio às operações offshore, podendo atender, no futuro, às usinas eólicas em alto-mar.
Parte da infraestrutura iniciada anteriormente poderá ser aproveitada, como estruturas já construídas na região do Canal das Flechas, que conecta a Lagoa Feia ao oceano. O projeto também prevê obras complementares, como a dragagem do canal, o que pode impulsionar outras atividades econômicas locais, incluindo a pesca.
Reciclagem de navios
A demanda por reciclagem de embarcações tem crescido no mundo e no Brasil. Estimativas indicam que, até 2035, cerca de 3,7 mil embarcações precisarão ser desmontadas, o que reforça o potencial estratégico do empreendimento no litoral norte fluminense. Para atender a essa demanda, os investimentos podem chegar a US$ 9,9 bilhões. Estudos anteriores já indicavam o potencial do setor: levantamento da consultoria Wood Mackenzie, realizado em 2020, apontava que o descomissionamento de plataformas offshore poderia movimentar entre US$ 14,5 bilhões e US$ 16 bilhões até 2029, considerando mais de 100 unidades previstas para retirada de operação.
Além do impacto logístico e industrial, o complexo deve gerar cerca de 800 empregos diretos e mais de 3 mil indiretos, consolidando-se como um dos maiores investimentos recentes na região que abrange Campos dos Goytacazes e Quissamã, com reflexos diretos em Barra do Furado.
A atividade de reciclagem de navios e plataformas offshore vem ganhando espaço no cenário global e brasileiro, impulsionada pelo aumento no número de embarcações que atingem o fim de sua vida útil. A destinação adequada do aço e de outros materiais tem se tornado uma necessidade crescente, abrindo novas oportunidades de mercado.
Especialistas destacam, no entanto, que o avanço do setor no país ainda depende da criação de um marco regulatório específico. A regulamentação é vista como essencial para garantir segurança jurídica e permitir que estaleiros brasileiros também possam atuar no mercado internacional de reciclagem naval.
Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Campos, Marcelo Neves, destacou que parte das intervenções já possui licenças ambientais, que serão ampliadas conforme o avanço do projeto, atualmente em fase final de licenciamento e de engenharia. A proposta prevê a ampliação dos molhes, base de apoio operacional, terminal alfandegado, heliponto, estação de passageiros e estrutura para o setor pesqueiro.
