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Vira e mexe alguém diz que futebol e eleição não têm lógica. A frase, geralmente aceita com facilidade, não se sustenta senão como exceção. Fosse diferente, Madureira, Bonsucesso, Santa Cruz, Marília e demais do mesmo patamar — com todo respeito — com frequência estariam nas finais do Carioca, do Paulista, ou até mesmo do Brasileirão. Mas não é assim. Os títulos são decididos por Flamento, Palmeiras, Atlético-MG, Botafogo, etc.


Na política não é diferente. Particularmente as eleições presidenciais seguem a lógica da visibilidade, dos nomes mais populares, do que se vê nas ruas, das pesquisas, do volume de conteúdos da mídia e por aí segue. Na eleição passada (2022), as apostas não miravam José Maria Eymanel ou Padre Kelmon — para citar apenas dois postulantes —, mas Lula e Bolsonaro. (Tebet, 3ª colocada, obteve 4,16%, menos que 10% do 2º). Anterior a esta, em 2018, Bolsonaro e Haddad. (Ciro, 3ª lugar, teve menos da metade dos votos de Haddad).
Recuando ao pleito 2014, Dilma e Aécio disputaram o 2º turno. Marina, na terceira posição, foi razoável: 21%. Ainda assim, doze pontos a menos que Aécio. De toda forma, os nomes de Levy Fidélix, Mauro Iasi e Rui Costa não figuraram como opções preferenciais neste pleito, sendo que os três juntos somaram menos que meio por cento. Nas quatro eleições ainda mais distantes àquelas mencionadas (Lula, Lula / FHC, FHC), também confirmou-se a lógica.
Registre-se, não se faz juízo de valor, de capacidade ou qualidade de quaisquer dos candidatos dos pleitos citados. Observa-se, tão somente, os indícios.
Pleito de 4 outubro de 2026
Daqui a pouco mais de oito meses acontece o 1ºturno da eleição presidencial, quando os eleitores vão começar a decidir entre o presidente Lula e um candidato de oposição, muito provavelmente apoiado por Bolsonaro. Diz-se ‘começar’ porque o pleito só deverá ser definido no 2º turno, dia 25.
Independente das qualificações dos postulantes, o horizonte eleitoral não vislumbra Caiado, Zema, Ratinho Jr., ou Eduardo Leite, entre outros, como propensos à votação necessária para alcançar as primeiras posições. Logo, ‘noves fora’ o imponderável, Lula da Silva ou o candidato vinculado ao bolsonarismo é que irá ocupar o Palácio do Planalto.
Hoje, o nome da oposição é Flávio Bolsonaro. Pode — pergunta-se — estar apenas ‘segurando a vaga’? Pode. Mas não parece. Tarcísio de Freitas tem sido cada vez mais enfático ao afirmar que não será candidato a presidente. Como consequência, já deve ter ultrapassado a linha — a fronteira — que daria para voltar atrás. Se o fizer, corre o risco do descrédito.
Controverso até a raiz, os pré-candidatos com reais chances de vencerem o pleito presidencial de 0utubro são, também, os de maior rejeição.
As pesquisas mostram que a preferência do brasileiro seria por um candidato fora do lulupetismo ou do bolsonarismo.
Só que os demais quadros pré-apresentados não têm musculatura eleitoral.
Paciência!
Assim sendo, no panorama controverso em que os nomes de maior capacidade de arregimentar votos são os mesmos que figuram no topo da rejeição (várias pesquisas apontam que o eleitor brasileiro não deseja nem Lula nem Bolsonaro), quem estiver pensando em mudança pra valer vai ter que esperar até 2030.
É algo frustrante e desolador. Todavia, retrata a realidade da política nacional: Mais do mesmo.
O presidente Lula não abriu espaço para ninguém. Embarcou no bloco do ‘eu comigo mesmo’ e diz sentir-se com 30 anos, apesar de completar 81 no mesmo outubro da eleição. Já Bolsonaro, próximo de passar para a prisão miciliar, terá mais fôlego para tentar transferir votos. Então é isso e ponto.
A lucidez, que aponta sem erro que o País precisa de transformação urgente, bem como que a mudança de rumo é ‘pra ontem’, vai ter que aguardar 2030, quando a cadeira número 1 de Brasília terá chance de se livrar de lideranças carcomidas e populistas, para abraçar um novo governante a partir de 2031, conectado com projetos vanguardistas, ao invés da velha bica d’água.
